Audiência de instrução apura a morte do menino José Rafael, de 2 anos, após aplicação de medicamento incorreto; profissional foi denunciada por homicídio culposo por negligência, com agravante por se tratar de vítima menor de idade.
A Justiça realizou nesta terça-feira (2), as 13h30, de forma virtual, a audiência de instrução da técnica de enfermagem acusada de aplicar uma medicação errada que resultou na morte do menino José Rafael dos Santos Sailvano de Souza, de apenas 2 anos, em Andradina. A profissional foi denunciada pelo Ministério Público por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, na modalidade negligência, com agravante em razão da vítima ser uma criança.
Ao todo, nove testemunhas deverão ser ouvidas durante a audiência, além da própria técnica de enfermagem, da médica responsável pelo atendimento e dos pais de José Rafael. A expectativa é que os depoimentos contribuam para o esclarecimento das circunstâncias que culminaram na morte da criança.
A audiência faz parte da fase de instrução do processo, momento em que são colhidos depoimentos das partes envolvidas, testemunhas e demais provas que auxiliarão o magistrado na formação de seu convencimento. Após o encerramento desta etapa, o juiz deverá analisar todo o conjunto probatório antes de proferir a sentença.
Até o momento, não há uma data definida para o julgamento do caso. Como a denúncia é por homicídio culposo, o processo tramita na Justiça comum e não será submetido ao Tribunal do Júri.
Relembre
O caso ocorreu em maio de 2025, quando José Rafael deu entrada em um hospital particular de Andradina apresentando sintomas de bronquiolite. De acordo com as investigações da Polícia Civil, a criança deveria receber hidrocortisona, medicamento prescrito para seu tratamento. No entanto, acabou recebendo succinilcolina, um bloqueador neuromuscular utilizado em procedimentos de intubação.
Logo após a administração da substância, o menino sofreu uma parada cardiorrespiratória. Apesar dos esforços da equipe médica para reanimá-lo, ele não resistiu e morreu.
Durante depoimento prestado à Polícia Civil, a técnica de enfermagem afirmou que retirou a ampola de uma caixa identificada como hidrocortisona, mas que o medicamento contido em seu interior era outro. Ela também admitiu não ter conferido o rótulo da ampola antes da aplicação.
Após a conclusão do inquérito, a Polícia Civil indiciou a profissional por homicídio culposo. Ela chegou a ser presa em flagrante na época dos fatos, mas foi liberada após o pagamento de fiança e responde ao processo em liberdade.
A audiência desta terça-feira representa uma etapa importante na busca pelo esclarecimento dos fatos e pela responsabilização dos envolvidos.
Por H+ Andradina


