As redes sociais se transformaram em uma importante ferramenta de comunicação. Por meio delas, a população pode acompanhar acontecimentos, cobrar melhorias, fiscalizar o poder público e também apresentar sugestões que contribuam para o desenvolvimento do município. Mas, infelizmente, nem sempre esse espaço é utilizado com esse propósito.
Movidas por mágoas, frustrações ou interesses pessoais, algumas pessoas acabam transformando as redes sociais em um verdadeiro palco para ataques, desinformação e discussões que pouco ou nada contribuem para a cidade. Em vez de apresentar propostas, apontar problemas de forma responsável ou buscar soluções, preferem alimentar picuinhas e criar narrativas que acabam confundindo a população.
É importante compreender que uma crítica responsável é saudável e necessária. Questionar uma administração pública faz parte da democracia. O problema está quando a crítica deixa de ter como objetivo o interesse coletivo e passa a ser utilizada como instrumento de vingança pessoal, disputa política ou tentativa de atingir determinada pessoa.
E há uma consequência que muitas vezes não é percebida: esse tipo de comportamento não atinge apenas uma administração ou determinado grupo político. Ele acaba atingindo a própria cidade.
Quando alguém utiliza as redes sociais para denegrir constantemente o município onde vive, espalhando informações distorcidas ou criando uma imagem negativa da cidade por causa de suas frustrações pessoais, não está prejudicando somente quem ocupa um cargo público. Está contribuindo para construir, para quem está de fora, uma visão negativa do lugar onde todos nós moramos.
Uma cidade não pertence ao prefeito, aos vereadores ou a qualquer grupo político. A cidade pertence à população.
Independentemente de quem esteja administrando o município, precisamos ter a maturidade para separar nossas preferências pessoais do interesse coletivo. Podemos não gostar de determinada pessoa, discordar de suas decisões ou até mesmo considerar que ela esteja cometendo erros. Isso faz parte da democracia. Mas nada disso deveria ser maior do que o nosso compromisso com o lugar onde vivemos.
Talvez seja hora de trocar um pouco das picuinhas por participação. Trocar ataques por sugestões. Trocar a desinformação pela busca da verdade. Trocar a torcida pelo fracasso pela vontade de ver a cidade prosperar.
Não precisamos gostar de quem administra uma cidade. Precisamos amar a cidade onde moramos.
Quando existe esse sentimento, passamos a torcer para que as coisas deem certo, independentemente de quem esteja no comando. Afinal, uma obra realizada, uma empresa que chega, um novo emprego criado, uma praça revitalizada, uma melhoria na saúde, na educação ou na infraestrutura não beneficia o prefeito, o vereador ou o grupo político. Beneficia a população.
Por isso, antes de publicar, compartilhar ou atacar, talvez valha a pena fazer uma pergunta simples: isso que estou fazendo contribui para melhorar a minha cidade ou apenas alimenta uma mágoa pessoal?
As redes sociais podem ser um instrumento poderoso de transformação. Mas, para isso, precisamos utilizá-las com responsabilidade.
Porque no final das contas, as pessoas passam, os governos mudam, os grupos políticos se alternam, mas a cidade permanece. E é nela que continuaremos vivendo.
Que possamos, portanto, deixar de lado aquilo que é pequeno e pessoal e começar a valorizar aquilo que realmente importa: o crescimento, o desenvolvimento e o futuro do lugar que chamamos de lar.
Por Carlos Camargo


