Pais deixam a Prefeitura de Birigui após reunião com servidores municipais para tratar das denúncias envolvendo a unidade de educação infantil
Um grupo de pais e mães procurou a Prefeitura de Birigui nesta segunda-feira (24) para pedir a apuração de supostas agressões, intimidações e ofensas contra crianças de 2 e 3 anos no Centro de Educação Infantil Dilma Guimarães Azevedo.
As acusações envolvem cinco profissionais da unidade, segundo os familiares. Os pais afirmam possuir gravações feitas no ambiente escolar que serão apresentadas às autoridades.
O caso também foi levado à Polícia Civil. As acusações ainda serão apuradas e, até o momento, não há conclusão sobre eventual responsabilidade dos profissionais citados.
Mudanças de comportamento
Jéssica Maximo, que participou da mobilização, afirmou que começou a desconfiar de problemas na unidade após perceber mudanças no comportamento do filho, de 2 anos.
Segundo ela, a criança passou a demonstrar medo do escuro, utilizar frases que não costumava dizer e reclamar de dores durante a lavagem dos cabelos. Entre as expressões que teria passado a repetir estava “vou te matar”.
Jéssica afirmou que procurou outros pais e recebeu relatos de mudanças de comportamento também em outras crianças.
As famílias dizem ter obtido gravações feitas dentro do ambiente escolar. Segundo os relatos, os registros conteriam situações em que crianças choram, são assustadas e recebem determinadas ordens dos adultos.
Uma das mães afirma que existem aproximadamente 30 horas de gravações. O conteúdo deverá ser analisado durante a apuração do caso.
Pais relatam apelidos e castigos
Thalia Feitoza afirmou que o filho demonstrava resistência para entrar na escola e chorava com frequência.
Segundo ela, as gravações também conteriam situações em que crianças são chamadas por apelidos pejorativos. Um dos exemplos relatados é “Dumbo”, supostamente utilizado em referência às orelhas de uma criança.
A mãe também relata situações em que crianças teriam sido colocadas de castigo, direcionadas para a parede e mantidas em ambientes escuros.
Thalia afirma ainda que uma das gravações conteria ofensas dirigidas à mãe de uma criança e comentários de teor inadequado envolvendo o menor.
As alegações deverão ser analisadas pelas autoridades e não permitem, neste momento, concluir que as condutas relatadas tenham ocorrido da forma descrita pelos familiares.
Famílias procuraram a escola
Segundo Jéssica, os pais procuraram a direção da unidade antes de levar o caso à Prefeitura. Ela afirma que tentou conversar diretamente com uma das profissionais, mas foi informada de que as solicitações deveriam ser formalizadas por meio de protocolo.
Insatisfeitas com a condução da situação, as famílias decidiram procurar a administração municipal e a Polícia Civil.
De acordo com informações repassadas pelos pais, durante o atendimento na Prefeitura eles foram informados de que seria aberta uma apuração envolvendo cinco profissionais da unidade.
As famílias também registraram o caso na Polícia Civil. “A gente quer justiça pelos nossos filhos”, afirmou Jéssica.
Prefeitura e profissionais serão ouvidos
A Prefeitura de Birigui foi procurada para obter posicionamento sobre as denúncias e confirmar quais providências administrativas serão adotadas.
A reportagem também busca manifestação dos profissionais citados.
O caso deverá ser apurado pelas autoridades competentes, que analisarão os relatos, as gravações apresentadas pelas famílias e outros elementos que venham a ser reunidos.
Por Guilherme Renan


