Cinco anos após o brutal feminicídio da enfermeira Rita Fernandes Soares, o sentimento das filhas Daniela, Emiliane e Laura continua sendo o mesmo: indignação diante da demora da Justiça.
Em um momento em que o Brasil intensifica o debate sobre o combate ao feminicídio e a proteção às mulheres, as três irmãs afirmam que seguem vivendo uma espera angustiante por uma resposta do Judiciário. Enquanto isso, segundo elas, o homem acusado de matar a própria mãe continua levando uma vida aparentemente normal.
A revolta da família ganhou um novo capítulo neste último fim de semana. As filhas receberam fotografias mostrando o acusado em um pesqueiro de Andradina, jogando sinuca e convivendo normalmente com outras pessoas.
“As imagens machucam ainda mais. Enquanto nós convivemos diariamente com a ausência da nossa mãe, ele segue aproveitando a vida como se nada tivesse acontecido”, desabafam as filhas.
Rita Fernandes Soares foi assassinada no dia 4 de maio de 2021, aos 58 anos. De acordo com as investigações, o crime foi cometido pelo marido dentro da residência do casal, na Rua Jesus Trujillo, ao lado da Escola Josepha Jesus Carreira, em Andradina. Conforme o inquérito policial, ela foi atacada com uma marreta, uma faca e um ferro de passar roupas, em um episódio que chocou toda a população..
Após o crime, o autor foi preso em flagrante pela Delegacia de Defesa da Mulher e encaminhado ao sistema prisional. No entanto, em 2023, obteve liberdade provisória e, desde então, responde ao processo em liberdade.
Para as filhas, a demora na conclusão da ação penal representa uma nova forma de sofrimento.
“O tempo passou, mas a nossa dor continua exatamente a mesma. Cinco anos depois, ainda esperamos que a Justiça faça a sua parte. É muito difícil ver quem tirou a vida da nossa mãe vivendo normalmente enquanto nossa família permanece destruída”, afirmam.
O caso continua sendo lembrado como um dos feminicídios que mais comoveram Andradina. A família espera que a Justiça conclua o processo e dê uma resposta definitiva não apenas para elas, mas também como demonstração de que crimes não podem permanecer sem uma punição efetiva.
Enquanto o país discute medidas para combater o feminicídio e acelerar o julgamento desses crimes, Daniela, Emiliane e Laura seguem convivendo com a saudade da mãe e com a esperança de que, um dia, a Justiça seja finalmente feita.
Por H+ Andradina


